Inteligência de Dados

Dados veiculares que mudam a decisão de sinistro

Enriquecimento de dados veiculares transforma a decisão de sinistro: veja o que os números revelam e como seu time de claims pode agir agora.

Capa: Dados veiculares que mudam a decisão de sinistro

Você recebe um aviso de sinistro. O veículo está lá, o segurado está lá, o boletim de ocorrência está lá. Tudo parece em ordem. Mas alguma coisa não fecha, e você não consegue colocar o dedo exatamente onde. Esse desconforto que o head de claims sente na boca do estômago não é paranoia: é o instinto de quem já aprovou um sinistro que não deveria ter aprovado e sabe que, da próxima vez, precisa de mais do que intuição para sustentar a decisão.

O problema é que a maioria das operações de claims ainda toma essa decisão com menos informação do que deveria. O laudo físico existe, o histórico do segurado existe, mas a inteligência sobre o veículo em si, sobre o que ele viveu antes de chegar até aquela apólice, sobre o que os dados externos mostram daquele chassis, essa camada quase sempre está faltando. E é exatamente aí que mora o risco.

O que o veículo sabe que o segurado não conta

Um veículo carrega história. Cada transferência de propriedade, cada registro de leilão, cada ocorrência de roubo e recuperação, cada restrição administrativa, cada divergência entre o hodômetro declarado e o padrão esperado para aquele ano e modelo: tudo isso é dado. Dado que existe, que é consultável, mas que boa parte das equipes de claims simplesmente não acessa no momento da decisão.

O enriquecimento de dados veiculares é o processo de cruzar essas fontes, bases públicas, registros de órgãos estaduais, históricos de sinistros anteriores em outras seguradoras, informações de recalls e restrições, e entregar esse contexto consolidado no momento em que o analista precisa dele: antes de autorizar o reparo, antes de liberar a indenização, antes de encerrar o caso.

O que vejo acontecer com frequência é o seguinte: a equipe descobre que o veículo tem histórico relevante, mas descobre tarde. Descobre quando o processo já está avançado, quando reverter a decisão gera atrito com o segurado, quando o custo político interno de questionar o sinistro já ultrapassou o custo de simplesmente paga