Mercado de Seguros
Mercado segurável de auto: erros que custam caro
O mercado segurável de auto no Brasil ainda tem milhões de veículos descobertos. Veja os erros operacionais que impedem o crescimento e como corrigi-los.
Você olha para a carteira e vê crescimento. Mais apólices, mais associados, mais veículos sob proteção. Mas quando abre o relatório de sinistros do trimestre, a conta não fecha. O índice de fraude subiu. O custo de regulação por evento aumentou. O prazo médio de encerramento está estourando metas. E a expansão que parecia tão promissora começa a parecer o problema, não a solução.
Isto não é coincidência. É o padrão mais comum que eu vejo quando operadoras, seguradoras e APVs decidem crescer para segmentos do mercado que ainda não tinham cobertura, os chamados veículos descobertos, sem adaptar a operação de sinistros antes. A expansão comercial vai na frente. A inteligência de análise fica para trás.
Por que o mercado descoberto atrai e assusta ao mesmo tempo
O Brasil tem uma frota enorme. Uma parte significativa dela ainda não conta com seguro formal ou proteção veicular ativa. Para qualquer COO com meta de crescimento, esse número é uma oportunidade clara: há espaço para crescer sem brigar pelo mesmo cliente que a concorrência já tem.
O problema é que "descoberto" não significa apenas sem cobertura. Significa também sem histórico de sinistro registrado, sem dados de comportamento do segurado, sem referência de custo de regulação para aquele perfil de veículo ou de condutor. Você está entrando num território onde o modelo de precificação foi construído com base em outros públicos e onde a operação de sinistros foi desenhada para tratar avarias previsíveis, não para absorver o comportamento de novos perfis de risco.
O que acontece, então, quando a carteira cresce rápido nesse segmento sem uma camada de inteligência de dados sustentando a decisão de sinistro? A fraude aparece primeiro. Depois vem o custo.
Os erros operacionais que mais vejo nessa expansão
Entendido o mecanismo, a pergunta seguinte é prática: onde exatamente a operação falha? Na minha experiência acompanhando operadoras em diferentes estágios de maturidade, os erros se concentram em três p