Antifraude

Fraude de peça na oficina: o ponto cego que a auditoria de sinistro não olha

A análise antifraude foca no aviso e no segurado. Boa parte do vazamento, porém, acontece depois da aprovação, na reparação. Como fechar essa lacuna sem brigar

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A maior parte do esforço antifraude de uma seguradora de auto se concentra na entrada do processo: o aviso é verdadeiro, o dano é compatível, o segurado é quem diz ser. Passada essa barreira, o caso é aprovado e sai do radar analítico. O que acontece na reparação vira assunto de gestão de rede, não de antifraude.

Esse recorte deixa um ponto cego relevante, porque parte do vazamento acontece exatamente ali, depois da aprovação.

As formas mais comuns

Peça usada cobrada como nova. A mais direta. O orçamento aprova peça genuína, a reparação aplica usada ou paralela, a diferença fica no meio do caminho. Sem conferência do que foi efetivamente instalado, a operação paga por um padrão que não recebeu.

Reparo cobrado como substituição. Um para-choque recuperável é orçado como troca. O item é reparado e pintado, e a peça nova nunca é comprada.

Serviço inflado. Horas de mão de obra que não correspondem ao trabalho executado, ou procedimentos de preparação e pintura lançados em superfície que não foi trabalhada.

Aproveitamento de escopo. O veículo entra por um dano coberto e sai com avarias preexistentes também reparadas, embutidas no orçamento do sinistro. Aqui costuma haver acordo com o segurado, o que torna a detecção mais difícil e o problema mais frequente.

Nenhuma dessas formas exige aviso falso. Todas ocorrem sobre sinistros legítimos, o que explica por que passam por análises focadas em autenticidade do evento.

Por que a auditoria tradicional não pega

A conferência clássica é documental e amostral. Confere-se a nota, o orçamento, eventualmente uma foto do veículo pronto. Isso valida que existe um documento coerente, não que a peça correta foi instalada.

Há também um fator de relação. A rede credenciada é ativo operacional: garante capacidade, prazo e cobertura geográfica. Um processo de auditoria percebido como desconfiança generalizada gera atrito com parceiros de quem a operação depende. O resultado prático é que a conferência acaba se