Antifraude
Fraude em sinistro: como medir o impacto real
Fraude em sinistro corrói o resultado sem aparecer no relatório. Veja como medir, detectar e agir antes que o prejuízo vire rotina.
Toda semana alguém me faz uma variação da mesma pergunta: "Tiago, eu sei que tenho fraude na minha carteira, mas como eu provo isso internamente para justificar o investimento em antifraude?" É uma pergunta honesta. E frustrante. Porque a fraude em sinistro tem uma característica perversa: ela se esconde exatamente onde você não está olhando, e sai do resultado parecendo custo operacional normal.
O problema real não é a fraude em si. É que a maioria das operações ainda não consegue separar o que é sinistro legítimo do que é sinistro manipulado. Quando tudo vai para o mesmo balde, o índice de sinistralidade sobe, a equipe de sinistros apanha, e o gestor de antifraude não tem munição para mudar o processo. Esse ciclo é o que vejo acontecer com mais frequência em seguradoras e proteções veiculares que ainda operam com o modelo tradicional de laudo.
O que a fraude realmente custa, além do pagamento indevido
A primeira armadilha é calcular o custo da fraude apenas pelo valor do sinistro pago. Esse é o custo visível, mas longe de ser o único. Cada sinistro fraudulento que passa sem ser detectado carrega consigo pelo menos três camadas de custo que não aparecem no relatório de sinistralidade.
A primeira é o custo de regulação desperdiçado: horas de analista, deslocamento de perito, comunicação com oficina, tudo consumido em um sinistro que já nasceu fraudado. A segunda é o custo de oportunidade: a equipe que deveria estar acelerando sinistros legítimos fica presa em processos que nunca deveriam ter avançado. A terceira, e mais silenciosa, é o efeito de atração: uma operação que não detecta fraude vira alvo preferencial de grupos organizados que mapeam quais seguradoras e APVs têm menor resistência.
Como grupos organizados identificam alvos fáceis
Imagine uma rede de oficinas e despachantes que testa diferentes operadoras com sinistros de baixo valor. Aquelas que pagam rápido, sem questionamento, sem cruzamento de dados, entram em uma lista informal. A partir d