Antifraude

Sinistro recorrente: como identificar o segurado de risco

Segurado que aciona seguro várias vezes pode ser fraude ou perfil de risco. Veja como a inteligência de dados muda essa decisão em 2026.

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Quando o mesmo segurado abre o terceiro sinistro em dezoito meses, o que passa pela cabeça do head de claims? Na maioria das operações que conheço, a resposta honesta é: o sinistro entra na fila normal, é analisado pelo mérito próprio, e a conexão com os acionamentos anteriores fica num Excel que ninguém tem tempo de cruzar.

Isso não é negligência. É a limitação real de uma operação que analisa sinistros de forma pontual, sem memória histórica do segurado. E é exatamente onde o segurado recorrente, seja ele um perfil de risco genuíno ou um fraudador sistemático, encontra a brecha.

A resposta curta: um segurado recorrente é identificado cruzando o histórico de acionamentos com dados de comportamento veicular, padrões de avaria e vínculos entre eventos. Não basta contar quantas vezes ele acionou: é preciso entender se os sinistros têm consistência técnica entre si, se os danos declarados fazem sentido com o uso real do veículo e se há vínculos com outros sinistros, oficinas ou terceiros envolvidos. Sem esse cruzamento, a análise pontual aprova o que deveria ser investigado.

O segurado recorrente é necessariamente fraudador?

Não, e essa distinção importa muito. Confundir os dois perfis gera dois erros opostos: negar sinistro legítimo a um segurado que simplesmente tem má sorte, ou pagar fraude sistemática por não identificar o padrão.

Existem segurados que têm perfil de risco elevado por razões legítimas: dirigem mais quilômetros, operam em regiões com maior índice de sinistro, têm veículo mais antigo com componentes que falham. Esses casos custam mais, mas não são fraude. O problema é quando o histórico de acionamentos esconde uma lógica diferente: avarias que reaparecem em locais impossíveis, terceiros que se repetem em eventos distintos, danos que não correspondem ao impacto declarado.

O que diferencia os dois perfis não é a quantidade de sinistros. É a consistência técnica entre o que foi declarado e o que os dados mostram. E para enxergar isso, a anál