Gestão de Sinistros

Sinistro com terceiro: por que a responsabilidade civil vaza mais que a cobertura própria

No dano a terceiro, a seguradora perde as duas alavancas que usa no dano próprio: controle da evidência e da reparação. O efeito no custo é maior do que o volum

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Em quase toda carteira de auto, o sinistro de responsabilidade civil representa uma fração menor do volume e uma fração desproporcional do problema: prazo maior, custo médio mais alto, mais reclamação e mais litígio. A explicação costuma ser atribuída à complexidade jurídica. Ela é apenas parte.

A causa estrutural é mais simples. No dano próprio, a seguradora controla duas coisas: como a evidência é produzida e como a reparação é feita. No dano a terceiro, ela não controla nenhuma das duas.

O que muda quando o bem não é do seu segurado

A evidência chega pronta, e de fora. O terceiro não usa o aplicativo da seguradora, não passa por captura assistida, não segue roteiro de vistoria. Ele envia o que tem, do jeito que tem, quando quer. A operação recebe um conjunto de fotos de origem desconhecida e precisa decidir com base nisso.

A reparação acontece onde ele escolher. Sem rede credenciada, sem tabela negociada, sem padrão de escopo. O orçamento vem de uma oficina que não tem relação com a seguradora e não tem incentivo para conter custo.

O interlocutor não tem vínculo contratual. O terceiro não é cliente, não conhece o processo e não tem obrigação de colaborar com prazos ou pedidos de complementação. Cada rodada de informação custa dias.

A régua é o Código Civil, não a apólice. O que se discute não é cobertura, é extensão do dano e nexo causal. Isso amplia o escopo do que pode ser cobrado, incluindo itens que no dano próprio nem entrariam.

Onde o dinheiro sai

Três vazamentos concentram a maior parte da diferença de custo.

O primeiro é a preexistência não detectada. Sem linha de base do veículo do terceiro, tudo que aparece na foto tende a ser tratado como decorrente do evento. É o mesmo problema da aceitação sem vistoria, agravado porque aqui a seguradora nunca teve acesso ao bem antes.

O segundo é o escopo inflado de reparação. Orçamento produzido sem parâmetro comparativo, em oficina não credenciada, com peças cotadas fora de t