Gestão de Sinistros

Vistoria prévia: o filtro que decide o custo do sinistro antes de ele existir

A avaria que entra na carteira sem registro vira sinistro coberto meses depois. Por que a vistoria de aceitação é a camada antifraude mais barata que existe.

Capa: Vistoria prévia: o filtro que decide o custo do sinistro antes de ele existir

Existe um tipo de fraude em auto que não acontece no sinistro. Ela acontece na entrada, meses antes, quando o veículo é aceito na carteira com uma avaria que ninguém registrou. O sinistro que chega depois é apenas a cobrança de uma conta que já estava aberta.

Esse caso é incômodo porque não parece fraude. Não há foto editada, não há documento falso, não há narrativa inventada. Há apenas ausência de registro. E ausência de registro, em regulação de sinistro, sempre pesa contra quem tinha o dever de registrar.

O mecanismo, em ordem

O padrão se repete com pouca variação. O veículo entra com um dano preexistente, em geral discreto: risco profundo em uma lateral, para-choque com folga de encaixe, farol com trinca fina, um amassado antigo em área de menor visibilidade. A aceitação é feita sem vistoria, ou com uma vistoria de qualidade insuficiente, do tipo três fotos rápidas de longe.

Passam algumas semanas. Chega o aviso de um evento real e pequeno, um toque em estacionamento, por exemplo. Nas fotos do sinistro, aparece o dano novo, e junto com ele o dano velho. Sem linha de base, o regulador não tem como separar um do outro. O orçamento sai contemplando os dois. A seguradora paga uma reparação que nunca foi seu risco.

Some isso ao longo de uma carteira e a conta deixa de ser anedota. É um vazamento estrutural, silencioso, que não aparece em nenhum indicador de fraude porque nunca foi classificado como fraude.

Por que a vistoria prévia é a camada mais barata

Toda a discussão de antifraude tende a se concentrar no momento do sinistro, quando o custo de investigar já é alto: análise técnica, tempo de regulador, eventual perícia, risco de litígio se a negativa for contestada.

A vistoria de aceitação inverte isso. Ela custa uma fração, acontece uma única vez por veículo, e produz o ativo mais valioso do processo: uma linha de base auditável do estado do bem no início da vigência. Com essa linha de base, a pergunta difícil ("esse dano é do evento ou já existia?"