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Regulação de Sinistros: Como Reduzir Custo

Regulação de Sinistros: Como Reduzir Custo

Quando me fazem essa pergunta, a situação que o gerente de sinistros descreve é quase sempre a mesma: a fila de sinistros abertos está crescendo, o prazo médio de regulação já passou do aceitável, e a diretoria quer corte de custo sem entender exatamente o que está pesando na conta. O problema não é falta de esforço da equipe. É que o processo foi desenhado para um volume que a operação já não tem mais.

E o que torna isso mais frustrante é que a maior parte do custo de regulação não está onde a maioria imagina. Não é o laudo. Não é o perito. É o tempo perdido entre uma etapa e outra, é o sinistro que voltou por informação incompleta, é a análise manual feita em cima de um veículo cuja história ninguém verificou direito. Esse é o custo invisível. E é exatamente aí que fraude, ineficiência e desperdício se misturam.

O que está consumindo o orçamento de sinistros em 2026

A regulação de sinistros de auto no Brasil passou por uma pressão dupla nos últimos anos: volume crescente de ocorrências e redução de margem nas carteiras. As seguradoras e APVs que ainda operam com modelo tradicional de laudo, sem camada de dados e sem triagem inteligente, estão sentindo isso na veia.

O mecanismo é simples de entender. Quando todo sinistro entra pela mesma porta e passa pelo mesmo processo independente do perfil de risco, você está gastando o mesmo recurso numa colisão simples com histórico limpo e num sinistro suspeito com múltiplas inconsistências. A triagem não acontece, ou acontece tarde demais. E aí o custo sobe dos dois lados: você regula mal os fraudulentos e regula devagar os legítimos.

Por que o prazo médio de regulação é o sintoma, não o problema

Prazo longo é o que aparece no dashboard. Mas a causa quase sempre está antes: falta de informação qualificada na entrada do sinistro. O regulador pede documento, o segurado demora, o processo trava. Isso se repete porque o primeiro contato não capturou o suficiente para movimentar o caso.

Quando você adiciona uma camada de enriquecimento de dados veiculares logo na abertura do sinistro, parte desse vai-e-vem some. O regulador já recebe o histórico do veículo, o registro de proprietários anteriores, sinistros anteriores vinculados à placa, informações de leilão. Ele começa o trabalho com contexto, não com uma folha em branco.

O peso oculto da fraude no custo de regulação

Fraude em sinistro de auto não é só o caso óbvio do carro que nunca existiu. Na maioria das operações que conheço, o problema maior está nos sinistros de valor médio, aqueles que passam no radar porque o valor individual não justifica uma investigação aprofundada, mas que em volume representam uma sangria significativa na carteira.

Uma colisão com dano parcial, um furto com histórico inconsistente, uma perda total num veículo com registro de leilão que ninguém cruzou: cada um desses, individualmente, pode parecer um custo de operação normal. Em escala, viram um problema de resultado. E o Head de Sinistros que não tem visibilidade sobre esses padrões está voando às cegas.

Como a triagem inteligente muda a lógica de custo

Aqui entra o ponto que muda tudo. A eficiência em regulação não vem de fazer o mesmo processo mais rápido. Vem de fazer processos diferentes para sinistros diferentes.

Isto é, você precisa de uma camada de triagem que classifica o sinistro por perfil de risco antes de alocar recurso. Sinistro com baixo risco de fraude e documentação completa segue para regulação acelerada, com mínima intervenção humana. Sinistro com inconsistências vai para análise técnica aprofundada. Essa separação, feita com dados no momento da abertura, é o que reduz prazo nos casos simples e evita pagamento indevido nos casos suspeitos.

Como a IA de claims aplica essa lógica na prática

As plataformas de inteligência de análise (o que chamamos de motor de IA de claims) fazem exatamente esse trabalho de triagem. Elas cruzam os dados do sinistro com bases externas, identificam padrões de inconsistência, calculam um score de risco e direcionam o caso para a fila correta.

O regulador não perde tempo pedindo documento que o sistema já tem. O analista de antifraude não olha para casos de baixo risco. E o gerente de sinistros finalmente tem visibilidade sobre onde está o gargalo e qual perfil de sinistro está pesando mais no prazo e no custo.

O que a LC 213/2025 muda para as APVs nesse cenário

Para as associações de proteção veicular, esse movimento de eficiência ganhou uma dimensão regulatória em 2026. A LC 213/2025 trouxe as APVs para o perímetro de supervisão da SUSEP, e uma das exigências implícitas desse novo ambiente é governança de processo e rastreabilidade das decisões de sinistro.

APV que não tem registro estruturado de como chegou à decisão de pagamento ou de negativa está exposta. Não só ao risco de fraude, mas ao risco regulatório. Montar uma operação de regulação com dados e trilha auditável deixou de ser diferencial e virou requisito básico para quem quer operar com segurança nesse novo modelo.

Por onde começar quando o processo está travado

Esse é o ponto onde a maioria das conversas trava. Sabe-se que o processo precisa mudar, mas a operação não para, o time está no limite e não há tempo para um projeto longo de transformação. Entendo. É a realidade de quase toda operação de médio porte que ainda não tem uma estrutura dedicada a dados e tecnologia.

A boa notícia é que você não precisa trocar o sistema inteiro para começar a ganhar eficiência. O caminho mais rápido passa por três pontos:

  • Enriquecimento de dados na abertura do sinistro: antes de qualquer análise humana, o caso deve ter o histórico do veículo consultado. Proprietários anteriores, restrições, passagem por leilão, sinistros anteriores vinculados. Isso leva minutos e muda a qualidade da regulação desde o primeiro contato.
  • Triagem por score de risco: não é necessário um motor de IA complexo para começar. Até uma matriz simples, baseada em critérios objetivos, já separa os casos que precisam de atenção especial dos que podem seguir fluxo normal.
  • Métricas por tipo de sinistro: prazo médio e custo médio agregados escondem mais do que revelam. Você precisa enxergar esses números por tipo de sinistro, por canal de entrada, por perfil do veículo. Só assim você sabe onde o processo está quebrando.

A pergunta que todo Head de Sinistros deveria responder hoje

Qual é o seu prazo médio de regulação por tipo de sinistro? Se você não consegue responder isso de cabeça, com granularidade, o problema não é operacional. É de visibilidade. E sem visibilidade, qualquer melhoria de processo vai ser empírica, baseada em intuição do time, sem como medir se funcionou.

Essa pergunta parece simples. Na prática, a maioria das operações não tem os dados organizados para respondê-la com precisão. O primeiro passo, antes de qualquer mudança de processo, é construir essa visibilidade.

O que fazer na prática a partir de agora

Com tudo isso em mente, a ação mais inteligente agora é mapear onde o tempo está sendo perdido na sua operação atual. Não de forma geral: por etapa, por tipo de sinistro, por canal. Você vai encontrar dois ou três pontos que respondem pela maior parte do atraso. Esses são os pontos onde enriquecimento de dados e triagem inteligente têm impacto mais rápido.

Se sua operação ainda não tem nenhuma camada de inteligência de dados no processo de sinistro, começa por aí: o histórico do veículo consultado na abertura de cada caso já muda a qualidade da análise e reduz o risco de fraude em sinistros de valor médio, que é onde a maioria das operações perde mais sem perceber. Para as APVs em processo de adequação à LC 213/2025, estruturar essa trilha de dados agora também resolve o problema de conformidade, sem precisar de dois projetos separados.

A eficiência em regulação é um resultado, não um projeto. Ela vem de decisões melhores no início de cada sinistro, não de correr mais rápido no final do processo.


Se você quer entender onde sua operação de sinistros está perdendo tempo e dinheiro, faz sentido conversar. O diagnóstico começa pelo mapeamento do seu processo atual, e a partir daí a gente identifica os pontos de maior retorno. Sem proposta de transformação do sistema todo: começa pelo que dói mais.

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Tiago de Bortoli

Escrito por Tiago de Bortoli

Fundador e CEO da Autoinsp. Lidera a plataforma de inteligência de dados e antifraude para sinistros de auto usada por seguradoras, proteções veiculares e insurtechs na América Latina.

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